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ÍNDIO E ARTE

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Chicô

“Reconhecer a beleza da arte e do artesanato indígena é uma forma diferente de olhar o Brasil”. Veja a entrevista de Chicô Gouveia sobre a ARTE KARAJÁ e o PROGRAMA ÍNDIO E ARTE.

 

Chang Whan

 

O projeto Iny/Karajá é coordenado pela pesquisadora Chang Whan (UFRJ). Assista ao vídeo com o seu depoimento e conheça mais sobre a cultura material dos Iny/Karajá.

Os Karajá, o Mundo Globalizado e a salvaguarda de seu patrimônio.

Por Chang Whan.
(extraído e editado do boletim do MI, n 37)

O povo Iny, especialmente os subgrupos Karajá e Javaé, têm, admiravelmente, conseguido preservar sua herança cultural e sua língua, mantendo-as vivas até os dias atuais, nesse mundo globalizado, desse início de terceiro milênio. Tal fato é admirável, em se considerando que os seus primeiros contatos com a sociedade nacional remontam há mais de dois séculos. De lá para cá, os contatos, sejam amistosos ou conflituosos, cada vez mais frequentes e intensos, se transformaram em convívio. Os

Iny estão, hoje, mais que integrados, inseridos na sociedade nacional. Dominam o português como segunda língua, ocupam cargos em instituições do estado brasileiro  (...), conhecem e buscam se apropriar dos bens e das comodidades tecnológicas do mundo globalizado (...), são consumidores regulares no comércio das cidades próximas de suas aldeias (...) [e], não raro, viajam pelo Brasil e até pelo mundo, visitando capitais, onde apresentam suas culturas e comercializam seu artesanato. Em suma, são cidadãos brasileiros e estão antenados ao mundo globalizado contemporâneo.

Contudo, o povo Iny têm conseguido, de uma forma geral, não deixar que toda essa miscigenação cultural viesse a abalar a convicção na eficácia de suas práticas tradicionais ou enfraquecesse seu amor pelas suas heranças culturais. A língua Karajá, Inyrybe, é a língua materna das crianças na maioria das aldeias. O português é adquirido como segunda língua apenas na idade escolar. Tal quadro é, de fato, admirável, quando lembramos que muitos outros povos nativos brasileiros, inclusive os próprios Inã de algumas regiões mais periféricas, como nas aldeias de Aruanã e do PI Xambioá, vem experimentando processo intenso de perda linguística e cultural, em graus diversos, em relativamente bem menos tempo.

Os fatores mais decisivos que contribuem para a preservação da cultura e língua Inã estão no próprio seio de seu povo. A convicção nas suas crenças, na sua cosmovisão, na importância de se manter o equilíbrio entre os três níveis do mundo Inã, – o  celestial, o terreno, e o subaquático. Equilíbrio esse que é garantido pela realização de festas e rituais cíclicos, além da estrita observância de normas e condutas sociais prescritas desde tempos imemoriais. (...).

A cultura Iny parece estar forte e vigorosa, sobretudo nas aldeias maiores. Mas o povo Inã sabe que não deve se descuidar, que frente aos avanços hegemônicos da sociedade globalizada, sua cultura de transmissão oral, intergeracional, se revela frágil e sob constante ameaça. As lideranças Inã andam preocupadas – especialmente com seus jovens, que podem se perder num limbo cultural, atraídos pelas sedutoras novidades da sociedade de consumo, que, facas de dois gumes, trazem benesses e malefícios - muitas vezes muito mais malefícios, como açúcar e sal em demasia na alimentação, lixo e sucata nas aldeias, além de alcoolismo, drogas e prostituição, destruidores de vidas e identidades.

As associações Iny mahãdu, que gere e coordena uma cooperativa dos artesãos Inã, e Iny Bededyynana, que promove oficinas de transmissão de saberes e valorização cultural, são esforços para manter a coesão e a integridade da identidade Iny.

 

Hoje, o povo Iny conta, também, com o trabalho e o investimento do PROGDOC, um amplo projeto de documentação que integra pesquisa de campo, tecnologia de ponta e formação de pesquisadores indígenas. O programa, fruto de um esforço conjunto entre a Fundação Nacional do Índio – FUNAI, a Fundação Banco do Brasil e a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, UNESCO, visa garantir a salvaguarda do patrimônio cultural indígena brasileiro, através da documentação de línguas e saberes das sociedades indígenas brasileiras. (...).

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